O cenário cinematográfico nacional celebra mais um passo importante rumo às principais premiações do mundo da sétima arte. A produção Feito Pipa, dirigida por Allan Deberton, foi oficialmente escolhida para representar o Brasil na disputa por uma indicação na categoria de Melhor Filme Internacional no Oscar 2027. O anúncio foi realizado pela Academia Brasileira de Cinema e Artes Visuais, entidade encarregada de eleger o título que carregará a bandeira do país na competição global.
A obra conquistou a vaga após vencer uma seleção rigorosa que contou com seis longas-metragens pré-selecionados, anunciados no início de setembro. Ao todo, 15 produções nacionais haviam se inscrito e preenchido todos os requisitos necessários para concorrer à representação oficial do país na Academia de Hollywood.
Uma história sensível ambientada no sertão cearense
Rodado inteiramente em Quixadá, no interior do Ceará, o enredo de Feito Pipa transporta o público para uma realidade marcada por afeto, desafios e profundas raízes culturais. A trama acompanha o jovem Gugu, interpretado por Yuri Gomes, um menino de apenas 11 anos cuja paixão inesgotável é o futebol. Ele vive na companhia de sua avó, Dilma, vivida pela renomada atriz Teca Pereira.
O conflito central se estabelece quando a saúde da avó começa a se fragilizar visivelmente. Para evitar a separação e impedir que seja obrigado a se mudar para Brasília, onde mora seu pai, Batista — personagem interpretado por Lázaro Ramos —, o garoto tenta esconder a gravidade da situação. A narrativa equilibra momentos de delicadeza infantil com dilemas familiares complexos, explorando a cumplicidade entre gerações.
Consagração em festivais e reconhecimento da crítica
Antes de alcançar o reconhecimento internacional e a indicação ao Oscar, o filme acumulou troféus de peso no circuito nacional. Na edição mais recente do tradicional Festival de Gramado, o longa emergiu como o grande vitorioso da noite, arrecadando prêmios expressivos:
- Melhor Direção para Allan Deberton;
- Melhor Atriz para Teca Pereira;
- Melhor Ator Coadjuvante para Lázaro Ramos;
- Melhor Filme pelo Júri Popular;
- Menção Honrosa para o jovem protagonista Yuri Gomes.
O impacto da escolha repercutiu fortemente entre os membros do elenco e da equipe técnica. Em publicações nas redes sociais, Lázaro Ramos não escondeu o entusiasmo com a notícia da seleção para a premiação americana.
“A emoção é gigante, porque dentro de tantos filmes bons que a gente teve esse ano, um monte de filme legal, um monte de trabalho rico, valioso, precioso, o Feito Pipa foi selecionado para tentar esse caminho, que é um caminho que, na verdade, começa em casa, de a gente mesmo valorizar o nosso cinema”, celebrou o ator. Ele acrescentou ainda que a obra traduz uma linguagem única e urgente que dialoga diretamente com a identidade e a sensibilidade do público brasileiro.
Olhar universal e identidade nacional
A presidente da Comissão de Seleção, Clélia Bessa, reforçou que a escolha do longa levou em conta a capacidade da narrativa de transitar entre o regional e o universal, mantendo uma forte assinatura autoral.
“O filme tem uma narrativa sensível que comunica universalmente e ao mesmo tempo traz uma forte identidade brasileira a partir de uma cidade do interior do Ceará. É sobre família, cumplicidade entre avó e neto, infância, finitude e já foi premiado em festivais internacionais importantes”, pontuou Bessa.
A trajetória comercial e de festivais do projeto segue intensa nos próximos meses. Antes de chegar oficialmente às salas de cinema de todo o país, com estreia agendada para o dia 5 de novembro, a produção marcará presença no Festival do Rio, que ocorre em outubro.
O histórico do Brasil no Oscar
O cinema brasileiro vive um momento de forte valorização e destaque internacional na premiação da Academia. O país já marcou presença entre os finalistas na categoria de Melhor Filme Internacional em seis ocasiões históricas. Entre os marcos mais recentes estão o aclamado O Agente Secreto, dirigido por Kleber Mendonça Filho, e o premiado Ainda Estou Aqui, conduzido por Walter Salles, que garantiu a inédita estatueta dourada para o Brasil.
Os próximos passos rumo à cerimônia do Oscar 2027 envolvem etapas cruciais. Em dezembro, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas divulgará a tradicional short list oficial, contendo os 15 longas-metragens em língua não inglesa pré-selecionados ao redor do planeta. Posteriormente, o anúncio definitivo dos cinco indicados oficiais que concorrerão à estatueta está programado para o dia 21 de janeiro do próximo ano.
Fonte:: diariopr.com.br


