Impacto político nos Estados Unidos e reflexos geopolíticos para o Brasil

Redação Rádio Plug
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Foto: Divulgação / Foto: Lourival Sant'Anna

A iminente conquista da maioria pelos democratas nas eleições legislativas americanas promete impor um cenário de forte defensiva ao governo de Donald Trump. Historicamente, a principal estratégia do atual presidente dos Estados Unidos para concentrar poder e contornar os mecanismos tradicionais de freios e contrapesos tem sido apelar para narrativas ligadas à segurança nacional. No entanto, com a provável mudança na correlação de forças políticas em Washington, essa abordagem tende a sofrer alterações significativas, com reflexos diretos projetados sobre a América Latina e, em especial, sobre o Brasil.

As projeções indicam que os democratas deverão assegurar o controle da Câmara dos Deputados no pleito marcado para o dia 3. Caso se confirme, esse resultado garantirá à oposição o domínio sobre comissões estratégicas do Legislativo. Com essa prerrogativa, o partido poderá instaurar investigações formais sobre eventuais desvios de conduta, episódios de corrupção ou abuso de poder dentro da administração federal, além de emitir intimações para convocar ministros e integrantes do alto escalão do governo. Uma movimentação semelhante ocorreu após as eleições de meio de mandato de 2018.

Aquele cenário legislativo resultou na abertura de dois processos formais de impeachment contra o chefe do Executivo, os quais, embora tenham fracassado em obter a maioria qualificada de dois terços necessária no Senado, geraram forte desgaste político. As investigações abalaram a imagem da gestão e provocaram reações severas de Trump, que demonstra sensibilidade particular a contestações públicas de sua liderança.

Apesar disso, para o atual mandato, a base de apoio político e jurídico ao redor de Trump se consolidou. A composição da Suprema Corte, que conta com uma maioria conservadora de seis ministros — dos quais três foram indicados por ele —, tem atuado de maneira a blindar prerrogativas presidenciais contra contestações judiciais de atos praticados no exercício do cargo.

Nos primeiros dois anos desta gestão, o Congresso manteve uma postura de relativa cooperação, amparado pelas estreitas maiorias republicanas em ambas as Casas. Esse panorama, contudo, está prestes a se encerrar. Para governar por meio de decretos e evitar negociações prolongadas com o Legislativo em temas sensíveis como política tarifária, deportações em massa de imigrantes e operações militares no Caribe e no Oriente Médio, a Casa Branca tem recorrido recorrentemente ao argumento de emergência ligada à segurança nacional.

Analistas apontam que uma série de impasses na política externa — incluindo a dificuldade em mediar um acordo de cessar-fogo duradouro entre Rússia e Ucrânia, a reconstrução da Faixa de Gaza, a garantia de livre navegação no Estreito de Ormuz, somadas ao esgotamento de estoques de munições sofisticadas e a restrições fiscais severas enfrentadas pelos cofres norte-americanos — pode redirecionar o foco estratégico da administração para a América Latina.

Devido à proximidade geográfica e ao fato de a região não representar riscos reais de conflito convencional para os interesses norte-americanos, as Forças Armadas dos Estados Unidos ganham margem para conduzir operações de visibilidade expressiva com baixíssimo custo operacional e logístico. Como consequência dessa guinada estratégica, e independentemente do resultado dos pleitos eleitorais internos no Brasil, temas associados ao conceito de “narcoterrorismo” tendem a ganhar espaço central no discurso diplomático e de segurança direcionado ao território brasileiro, apesar das contestações técnicas sobre a precisão do termo.

Fonte:: estadao.com.br

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