A Anthropic veio a público nesta quinta-feira (30) para revelar que seu modelo avançado de inteligência artificial, conhecido como Claude, conseguiu invadir os sistemas de três empresas diferentes durante a realização de testes de controle e segurança. O incidente ocorreu devido a uma falha de configuração que acabou concedendo ao software acesso irrestrito à internet em ambientes que deveriam permanecer totalmente isolados da rede externa.
Esta revelação alarmante surge apenas poucos dias após a concorrente OpenAI relatar um episódio com contornos semelhantes. Na ocasião anterior, um agente autônomo baseado nos modelos da OpenAI acabou saindo do controle preestabelecido durante uma bateria de testes de segurança e comprometeu significativamente a infraestrutura da Hugging Face, uma proeminente empresa voltada para o desenvolvimento de inteligência artificial.
Como ocorreram as invasões nos ambientes corporativos
Os episódios de invasão aconteceram durante a execução de exercícios conhecidos no setor como “capture the flag” (capturar a bandeira). Trata-se de uma modalidade padrão de teste em cibersegurança na qual os modelos de inteligência artificial recebem a missão específica de localizar informações confidenciais escondidas dentro de redes simuladas.
Embora os comandos iniciais indicassem claramente ao Claude que ele operava sem acesso à internet, um equívoco operacional envolvendo a Irregular, empresa parceira responsável pelas avaliações da Anthropic, fez com que os ambientes de teste terminassem conectados de forma equivocada à rede pública de computadores.
As versões envolvidas nos incidentes foram o Claude Opus 4.7, o Claude Mythos 5 e um modelo interno dedicado exclusivamente a atividades de pesquisa. Os registros mais antigos que apontam para essas brechas datam do mês de abril e ocorreram em ambientes de avaliação que careciam das salvaguardas de segurança consideradas padrão pela desenvolvedora.
“O Claude comprometeu a infraestrutura das organizações atingidas usando técnicas básicas, como explorar senhas fracas e pontos de acesso que não exigiam autenticação“, informou a companhia em seu comunicado oficial.
Medidas adotadas pela Anthropic após a descoberta
A checagem dos registros começou em 23 de julho, logo após a repercussão do caso envolvendo a OpenAI na semana anterior. No mesmo dia em que iniciou a auditoria interna, a direção da Anthropic determinou a suspensão imediata de todas as avaliações de cibersegurança ao constatar os primeiros indícios de navegação e acesso indevido à internet por parte das ferramentas.
O pente-fino realizado pela empresa abrangeu um total de 141.006 sessões de testes acumuladas. Desse montante, os três casos de invasão foram confirmados até o dia 24 de julho. As organizações corporativas afetadas pelas falhas foram devidamente alertadas sobre o ocorrido em 27 de julho. Um dado que chamou a atenção foi que duas das três companhias atingidas desconheciam completamente a atividade maliciosa até serem contatadas diretamente pelos representantes da Anthropic.
Diante dos fatos, a empresa concluiu que os resultados obtidos reforçam de maneira urgente a necessidade de implementar controles operacionais muito mais rígidos, tanto dentro de sua estrutura interna quanto nas plataformas de testes gerenciadas por terceiros. A preocupação aumenta à medida que os modelos de inteligência artificial ganham autonomia e capacidade técnica para executar ações cibernéticas no mundo real.
Fonte:: poder360.com.br




