A Nasa incorporou um actígrafo desenvolvido por professores e ex-alunos da Universidade de São Paulo em sua missão Artemis 2, que foi lançada em 1º de abril de 2026 com destino à órbita lunar. Esta missão representa um marco significativo, marcando o retorno de astronautas ao espaço próximo à Lua após várias décadas.
O dispositivo, projetado pela empresa Condor Instruments, possui um formato semelhante ao de um relógio de pulso e é capaz de registrar simultaneamente a atividade motora, a exposição à luz e a temperatura corporal dos astronautas. Com essas informações, é possível analisar o funcionamento biológico do corpo humano em um ambiente de gravidade reduzida e sem as referências naturais de dia e noite.
A startup brasileira teve seu dispositivo aprovado pela Nasa no final de 2025. O contato entre a agência espacial dos Estados Unidos e a Condor começou em 2023, após a abertura de uma convocação para a seleção de tecnologias que pudessem monitorar as mudanças fisiológicas que ocorrem durante as missões espaciais.
Atualmente, a Condor vende esses dispositivos principalmente para clínicas na Europa e nos Estados Unidos, onde são utilizados para monitorar a rotina e a qualidade do sono de pacientes. O custo do equipamento é de cerca de US$ 700 (aproximadamente R$ 3.500) no exterior e R$ 3.000 no Brasil.
Monitoramento da saúde dos astronautas
Durante a Artemis 2, o actígrafo foi utilizado pelos quatro astronautas a bordo: os norte-americanos Reid Wiseman, Victor Glover e Christina Koch, além do canadense Jeremy Hansen. Os dados coletados têm o potencial de ajudar cientistas a entender como o corpo humano reage em um ambiente onde não há as referências naturais que condicionam o nosso ciclo biológico.
A observação dos ritmos circadianos é fundamental para futuras expedições espaciais de longa duração, uma vez que estas funções biológicas impactam diretamente no sono, no metabolismo, na temperatura corporal e na produção hormonal dos astronautas.
A missão Artemis 2 percorreu uma distância total de 406.777 quilômetros em um período de 10 dias, estabelecendo um novo recorde de distância para uma tripulação humana no espaço. Este novo marco superou em mais de 6.000 quilômetros o recorde anterior, que era mantido pela missão Apollo 13, realizada em 1970.
Além disso, os astronautas da Artemis 2 se tornaram os primeiros seres humanos a sobrevoar o lado mais afastado da Lua desde a época do programa Apollo, o que fornece dados valiosos para futuras missões. As informações coletadas durante a missão são cruciais para que pesquisadores desenvolvam protocolos de saúde adequados para explorar o espaço de maneira mais segura e eficiente no futuro.
Dessa forma, a colaboração entre a Nasa e a Condor Instruments exemplifica como a tecnologia brasileira pode contribuir significativamente para avanços em explorações espaciais, evidenciando a importância da pesquisa e inovação no país.
Fonte:: poder360.com.br




