BOGOTÁ – Neste domingo, 31, a Colômbia realizará eleições presidenciais que têm como protagonistas um ícone da esquerda associado ao presidente Gustavo Petro, um advogado milionário conhecido por sua postura conservadora contra o crime e uma senadora da oposição, que estão entre os principais favoritos nas urnas.
Iván Cepeda: O Defensor dos Direitos Humanos
Iván Cepeda, senador, filósofo e defensor dos direitos humanos, aparece como líder nas pesquisas para suceder Gustavo Petro, o primeiro presidente de esquerda da história do país. Cepeda foi um dos principais arquitetos do denominado “Plano de Paz Total”, uma iniciativa do atual governo voltada para o desarmamento de todos os grupos armados, que, infelizmente, não obteve sucesso até o momento.
Com uma trajetória marcada pela luta pela justiça social, Cepeda ganhou notoriedade ao acompanhar a primeira aparição pública de sua vida em 1994, quando esteve ao lado do corpo de seu pai, que foi um senador e dirigente do Partido Comunista. A cena se tornou emblemática: ele clamou por justiça diante de um veículo crivado de balas, expressando que “este crime não pode ficar impune como tantos outros cometidos contra homens justos e valentes”. Desde então, a perseguição política resultou na morte de mais de 5.700 líderes de esquerda ao longo dos anos.
Com 63 anos, Cepeda passou por períodos de exílio na antiga Checoslováquia, Bulgária, Cuba e França. Na Colômbia, dedicou-se a defender as vítimas do conflito armado e teve um papel significativo nas negociações do acordo de paz que resultou no desarmamento das Farc em 2016. Seus adversários políticos costumam chamá-lo de “herdeiro das Farc”, criticando sua associação com a política de paz de Petro. Durante a campanha, ele declarou: “Sobrevivi ao genocídio, à estigmatização e à perseguição incansável. E aqui estou, de pé”.
Costumando vestir camisas tradicionais caribenhas em vez de gravatas, ele considera essa escolha um símbolo de resistência contra a “oligarquia”. Admirador do pacifista Mahatma Gandhi, Cepeda obteve uma vitória judicial significativa contra o ex-presidente Álvaro Uribe, que foi condenado por manipulação de testemunhas, embora a decisão tenha sido posteriormente revogada.
Abelardo de la Espriella: O Outsider da Direita
Abelardo de la Espriella, também conhecido como “El Tigre”, é um advogado e empresário de 47 anos que, após uma vida luxuosa na Itália, decidiu entrar para a política com o objetivo de evitar que a Colômbia seja “destruída” pela esquerda. Ele se descreve como um defensor das ideias de Donald Trump, Javier Milei e Nayib Bukele e adota uma postura enérgica contra a criminalidade no país.
Com ternos bem cortados e, frequentemente, um colete à prova de balas, De la Espriella defendeu diversas figuras polêmicas, entre elas narcotraficantes e celebridades do futebol. Antes de voltar à Colômbia, ele vivia em Florença, onde promovia suas empresas de rum e vinho e usufruía de jatos particulares. Para lidar com o problema da cocaína, ele propõe uma aliança militar com os Estados Unidos e Israel, a construção de grandes penitenciárias e é favorável ao armamento da população.
“Em meu governo, bandidos que não se submeterem à Justiça serão eliminados”, declarou à AFP em fevereiro. Ele também defende uma drástica redução do tamanho do Estado e a transformação de embaixadores em comerciantes. Com um estilo explosivo, já fez comentários polêmicos que incluem referências machistas e homofóbicas.
Paloma Valencia: A ‘Filha’ de Uribe
Paloma Valencia, com 50 anos, pertence a uma das famílias mais influentes da Colômbia e é neta do ex-presidente Guillermo León Valencia. Assim como seu avô, que se destacou na luta contra as guerilhas da época, ela busca se tornar a primeira mulher a ocupar a presidência do país. Atuando como senadora, Valencia se tornou uma voz ativa contra os grupos armados e a esquerda política, e é uma figura proeminente dentro do partido de oposição liderado por Álvaro Uribe.
Ela é conhecida por suas posturas conservadoras em relação aos direitos da comunidade LGBTIQ+ e é a favor da exploração de hidrocarbonetos por meio do fraturamento hidráulico (fracking). Em seu discurso, ela declarou: “Vamos acabar com a paz total e impor a segurança total”. Como defensora da militarização, busca seguir o modelo de seu mentor, Uribe, que utilizou apoio internacional para reprimir as guerrilhas.
Considerando Uribe como uma figura paternal em sua carreira política, Paloma Valencia se opôs fortemente ao acordo de paz com as Farc, demonstrando uma postura firme em prol da segurança nacional.
Fonte:: estadao.com.br




