Mira Murati, ex-chefe de tecnologia da OpenAI, afirmou em depoimento na quarta-feira (6), no tribunal federal de Oakland, Califórnia, que o CEO Sam Altman alimentou um clima de desconfiança entre os executivos da empresa. A declaração faz parte do processo movido por Elon Musk contra a OpenAI.
Murati brevemente assumiu o cargo de CEO da OpenAI após a decisão do conselho de demitir temporariamente Altman em 2023. As informações foram reportadas pela agência de notícias Reuters.
Durante seu depoimento, a ex-executiva mencionou que Altman apresentava comportamentos que minavam a confiança interna na organização, descrevendo sua gestão como “caótica”. “Minha preocupação era sobre Sam dizer uma coisa para uma pessoa e algo completamente oposto para outra”, apontou.
A também ex-chefe de tecnologia relatou que Altman, em diversos momentos, foi enganoso tanto com ela quanto com outros membros da equipe, promovendo um ambiente em que os executivos eram colocados uns contra os outros.
Referindo-se à crise que a OpenAI enfrentou em 2023, quando Sam Altman foi demitido por não ser “consistentemente sincero” nas comunicações, Murati expressou sua apreensão sobre o futuro da empresa. “A OpenAI estava em risco catastrófico de desmoronar. Eu estava preocupada com a possibilidade de a empresa explodir completamente”, destacou.
O PROCESSO DE ELON MUSK CONTRA A OPENAI
No processo, Elon Musk solicita a dissolução da estrutura lucrativa da OpenAI, a remoção da atual liderança e demanda uma indenização de US$ 150 bilhões da startup e da Microsoft. Musk argumenta que os líderes da OpenAI se beneficiaram de maneira indevida com doações feitas quando a organização ainda era uma entidade sem fins lucrativos.
Em resposta às alegações de Musk, Greg Brockman, cofundador da OpenAI, mencionou que possui participação na empresa avaliada em US$ 30 bilhões (cerca de R$ 148,7 bilhões) sem ter realizado investimento pessoal. Ele também fez referência a uma doação de US$ 100 mil que havia prometido em 2015.
Brockman defendeu em tribunal que a transição da OpenAI para uma estrutura comercial está alinhada com sua missão original, chamando a inteligência artificial de “a mudança tecnológica mais significativa da história”. Ele é conhecido como um dos principais aliados de Sam Altman, cujo depoimento está previsto para a semana de 11 de maio.
Novos documentos apresentados pela OpenAI revelaram que Musk enviou mensagens ameaçadoras a Brockman dois dias antes do julgamento: “Até o final desta semana, você e Sam serão os homens mais odiados dos EUA”, relatou o fundador da Tesla.
A defesa da OpenAI argumenta que o processo é uma manobra de Musk para atrasar a concorrência, visto que sua empresa de inteligência artificial, a xAI, busca recuperar o atraso no setor tecnológico. Além disso, advogados apresentaram e-mails de 2017 que sugerem que Musk propôs transformar a OpenAI em uma entidade lucrativa sob seu controle majoritário.
A juíza Yvonne Gonzalez Rogers deve decidir sobre o futuro da governança da OpenAI ainda em maio.
SOBRE A SAÍDA DE ELON MUSK DA OPENAI
Em 2015, Musk fez uma doação de US$ 44 milhões para o desenvolvimento da OpenAI, sob a condição de que a empresa mantivesse seu caráter não lucrativo. O empresário se afastou da organização em 2018.
Em nota publicada em seu site oficial, a OpenAI afirmou que Musk “tem assediado a organização por anos, com processos infundados e ataques públicos”, motivado pela inveja do sucesso da companhia, que continua “governada por uma organização sem fins lucrativos dedicada a uma missão que beneficie toda a humanidade”.
Fonte:: poder360.com.br




