“Sites de dopamina” ganham jovens na Coreia do Sul, diz jornal

Redação Rádio Plug
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O usuário navega por ambientes virtuais que imi...

Uma nova tendência digital tem se espalhado entre os jovens na Coreia do Sul, sendo chamada de “sites de dopamina”. Essas plataformas simulam atividades cotidianas para criar uma sensação imediata de prazer e recompensa, sem a realização real da experiência. As informações foram divulgadas pelo jornal The Korea Times em 27 de maio.

A proposta é bastante direta: o usuário explora ambientes virtuais que imitam situações reais, como fazer pedidos de comida por aplicativos, realizar compras online ou até mesmo participar de uma pausa para fumar. A peculiaridade dessas experiências é que nada é realmente concluído; o pedido de comida nunca chega, a compra não é efetivada e o cigarro está apenas na imaginação.

O que prevalece aqui é a própria experiência, ao invés de um resultado. De acordo com a reportagem do Korea Times, o fenômeno se sustenta, essencialmente, na expectativa e nos rituais que antecedem essas ações, processos que podem gerar uma satisfação temporária semelhante àquela proporcionada por vivências reais.

A lógica por trás dessa experiência se relaciona à dopamina, um neurotransmissor que está por trás de mecanismos de recompensa e prazer no cérebro humano. Especialistas afirmam que a maior liberação dessa substância, muitas vezes, ocorre antes da recompensa, durante a expectativa de recebê-la.

PLATAFORMAS UTILIZADAS

Dentre as plataformas mais populares, destacam-se aplicativos fictícios de entrega de comida, onde os usuários escolhem pratos, adicionam itens ao carrinho e simulam pedidos sem finalizá-los. Existem também sites que replicam ambientes sociais, como momentos coletivos para “fumos”.

Nesses espaços virtuais, os usuários podem visualizar outras pessoas conectadas em tempo real e deixar mensagens curtas como “estou tentando passar mais um dia” ou “quero ir para casa”, gerando uma sensação de estar em uma sala de descanso digital compartilhada.

Alguns jovens entrevistados pelo Korea Times relatam que essa prática funciona como pequenas pausas em suas rotinas, auxiliando no alívio do estresse, da ansiedade e da solidão. “Na verdade, eu não estou fumando, mas parece que estou fazendo uma pausa com alguém. É estranhamente reconfortante”, comentou Lee, um estudante universitário de 24 anos, ao jornal.

Os especialistas atribuem a popularidade desses serviços ao cenário atual enfrentado pela juventude sul-coreana. O aumento do custo de vida, a pressão por desempenho acadêmico e profissional, além da insegurança em relação ao futuro, têm levado muitos jovens a procurar formas de entretenimento que sejam mais acessíveis e emocionalmente menos desgastantes.

Kim Heon-sik, professor da Universidade Jungwon, comentou ao Korea Times que essa tendência reflete uma mudança mais abrangente nos comportamentos digitais. “Esses sites evidenciam um desejo de vivenciar uma sensação similar à da vida real, sem necessariamente se envolver de fato”, explicou.

O professor fez uma analogia com a ascensão dos conteúdos conhecidos como mukbang, onde pessoas assistem outras consumindo grandes quantidades de alimentos para alcançar uma satisfação indireta.

Apesar de muitos usuários caracterizarem essa prática como uma forma inofensiva de relaxamento, o fenômeno suscita questionamentos sobre o crescente deslocamento de experiências reais para versões digitais, além dos potenciais impactos desse comportamento nas relações sociais e nos hábitos de consumo.

Fonte:: poder360.com.br

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