Supremo aponta indícios de liderança de Mário Frias em esquema de desvio de emendas

Redação Rádio Plug
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Foto: © Roberto Castro/ Mtur

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), apontou a existência de indícios que colocam o deputado federal Mário Frias em uma posição de liderança dentro de um suposto esquema criminoso voltado para o desvio de emendas parlamentares. De acordo com as investigações em curso, o objetivo principal do grupo seria o financiamento da produção do filme Dark Horse, obra concebida como uma dramatização sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.

As declarações do magistrado constam em um despacho oficial divulgado publicamente. No documento, Dino ressalta que o andamento das apurações tem revelado menções constantes ao parlamentar. “Há a alusão reiterada, no itinerário delituoso, a um deputado federal, o Sr. Mário Frias, que – no terreno hipotético da investigação – ocuparia um papel de liderança na suposta arquitetura criminosa”, pontuou o relator.

Flávio Dino atua como relator do inquérito que examina possíveis irregularidades na execução e no repasse de verbas oriundas de emendas parlamentares. Para embasar suas decisões recentes, o ministro incorporou informações detalhadas enviadas pela Vara Estadual das Garantias de Organizações Criminosas e Lavagem de Bens, Direitos e Valores, vinculada ao Foro Central Criminal da Barra Funda, em São Paulo.

Foram justamente os elementos probatórios reunidos pela Justiça paulista que permitiram aos investigadores traçar um panorama sobre o suposto protagonismo de Mário Frias na gestão e no direcionamento irregular de recursos públicos federais.

Desdobramentos da Operação Make Up

O avanço das investigações culminou na autorização, por parte de Flávio Dino, da chamada Operação Make Up. Na ocasião, agentes da Polícia Federal cumpriram 49 mandados de busca e apreensão espalhados por diferentes regiões do país, incluindo o Distrito Federal, São Paulo, Rio de Janeiro e Ceará.

Entre os principais alvos das diligências policiais estavam o próprio deputado federal Mário Frias — que exerceu o cargo de secretário da Cultura durante a gestão de Jair Bolsonaro e figura como um dos roteiristas do projeto cinematográfico — e a empresária Karina Gama.

Os relatórios técnicos elaborados pela Controladoria-Geral da União (CGU) apontaram falhas e indícios de irregularidades na destinação de R$ 2 milhões em emendas parlamentares de autoria de Frias. Os valores foram repassados para duas instituições registradas em nome de Karina Gama: o Instituto Conhecer Brasil (ICB) e a Academia Nacional de Cultura (ANC).

Questionada sobre o tema, a Prefeitura de São Paulo emitiu posicionamento negando qualquer irregularidade nos serviços prestados pelo Instituto Conhecer Brasil. A administração municipal argumentou que o programa WiFi Livre permanece em operação na capital paulista, contando atualmente com 3,2 mil pontos instalados e acumulando mais de 760 milhões de acessos.

“A administração municipal reitera que o serviço contratado foi prestado, passando a parceria por prestações de contas semestrais, período mais rigoroso do que o mínimo legal. As movimentações financeiras da entidade não integram a relação contratual com a administração municipal”, destacou a nota oficial da prefeitura.

Conexões com facção criminosa

Outro ponto de destaque no despacho do ministro do STF diz respeito à suspeita de conexão entre o esquema de desvio de verbas públicas federais e estruturas ligadas ao Primeiro Comando da Capital (PCC), facção criminosa com atuação nacional.

Segundo o relator, os dados remetidos pela Justiça de São Paulo sugerem que, além do uso de recursos para custear o filme Dark Horse, a rede de corrupção mantinha pontos de contato com atividades ilícitas associadas ao crime organizado.

“No curso da investigação se fortalece a hipótese de imbricação indissociável em um sofisticado esquema de destinação e desvio de recursos públicos, com destaque para emendas parlamentares federais e para a prefeitura de São Paulo. Essa organização alcançaria, inclusive, vínculos com a facção PCC (Primeiro Comando da Capital), consoante linha investigativa mencionada nos autos”, enfatizou o ministro no despacho.

A reportagem buscou contato com a assessoria de imprensa do deputado federal Mario Frias para obter um posicionamento diante das acusações e do teor das investigações, mas o espaço permaneceu sem resposta até o momento da publicação.

Fonte:: agenciabrasil.ebc.com.br

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