Ucranianos fazem churrasco enquanto assistem a corridas de drones durante a guerra

Redação Rádio Plug
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Foto: Divulgação / Estadao.com.br

No final do mês passado, um evento inusitado ocorreu em um parque temático no oeste da Ucrânia: corridas de drones. Dois drones competiam lado a lado em um percurso que incluía um túnel e disparavam suas câmeras em direção à linha de chegada, situada perto de um carrossel em um parque infantil. Enquanto a fumaça dos churrascos das barracas de comida pairava no ar, a plateia assistia atenta a um telão exibindo a disputa a partir da perspectiva de um drone.

De forma inesperada, a tela mostrou um close na grama, revelando que os drones haviam colidido e caído no chão. “Isso é insano! Isso é brutal! Eles colidiram!”, gritou o locutor, em meio à tensão do público. “O que os juízes farão agora?”

Surpreendentemente, outro drone apareceu, voando lentamente, e a corrida continuou. O sargento Zakhar Korol, de 37 anos, pilotava seu drone com cautela, levando 11 minutos para completar o percurso que deveria ser feito em apenas cinco minutos. “Aqui está ele, o campeão, o Sr. Velocidade!”, exclamou o locutor, provocando risadas entre os espectadores.

O evento, denominado “Drones Selvagens”, teve como objetivo proporcionar um momento de diversão e reconhecimento para pilotos de drones militares, muitos deles diretamente do campo de batalha, que levaram suas famílias e amigos. Esta aparente desconexão entre a guerra e a festividade criava um contexto surreal, com drones potencialmente letais zumbindo sobre o mesmo local onde crianças brincavam.

As corridas de drones são um reflexo da importância que esses dispositivos ganharam no conflito. Desde a invasão em larga escala da Ucrânia pela Rússia em 2022, o uso de drones – principalmente aqueles pilotados por meio de transmissão ao vivo – deixou de ser apenas uma ideia defendida por entusiastas. Hoje, a Ucrânia é responsável pela produção de uma vasta gama de sistemas não tripulados, que incluem drones bombardeiros e veículos terrestres, que desempenham um papel crucial em combate.

Embora a proliferação dos drones nas forças armadas tenha sido impulsionada pela necessidade de inovação no campo de batalha, eventos como este também têm potencial de criar uma nova cultura militarizada. Dezenas de festivais e competições de drones ocorrem anualmente, permitindo que os designers ouçam as opiniões e sugestões dos pilotos diretamente.

Durante o evento, 19 equipes de brigadas ucranianas participaram de competições em duas categorias: drones FPVs leves e bombardeiros pesados. As disputas não se restringiram à velocidade, mas também envolveram o acerto em alvos aéreos, enquanto homens em uniformes aproveitavam o churrasco e sorvete à sombra de brinquedos coloridos.

Quando dois pilotos da 71ª Brigada concluíram suas corridas, suas jovens esposas correram em direção a eles para um abraço carinhoso, um momento que contrasta com a realidade dura da linha de frente. “Eles são os melhores pilotos”, declarou Alina Arsenenko, de 24 anos, com orgulho de seu marido e do companheiro de combate.

As mulheres também se divertiram ao experimentarem drones terrestres operados por soldados, vivenciando a sensação de dirigir um veículo originalmente destinado a evacuar soldados feridos. Enquanto isso, os organizadores destacaram que as competições têm um papel vital na evolução da indústria de drones da Ucrânia, permitindo que as necessidades dos pilotos sejam levadas em conta no processo de desenvolvimento de novas tecnologias.

Além disso, para muitos soldados, o evento foi uma oportunidade merecida de descanso. “Passei cinco semanas em posições antes de chegarmos aqui”, revelou um sargento identificado apenas como Zippo. “É claro que, para mim, isso é antes de tudo um descanso”, completou.

O sargento Korol, membro da 47ª Brigada Mecanizada e vencedor da corrida, estava visivelmente contente ao receber os parabéns por sua vitória. Sua unidade receberá como prêmio três drones bombardeiros Vampire, que podem carregar até 13,6 kg de explosivos, além de acessórios fornecidos pela Skyfall, empresa de drones que patrocinou a competição.

Após o evento, os soldados se reuniram ao redor das mesas, brindando à vitória e à camaradagem. Mykola, de 26 anos, um soldado que atende pelo codinome Dobry, caminhava com um chapéu de mágico camuflado, em um evidente espírito de brincadeira, enquanto se preparava para retornar à linha de frente no dia seguinte. “Fazemos os russos desaparecerem”, brincou, após a intensa competição que quebrou a monotonia da guerra por um breve momento, lembrando que até mesmo em tempos difíceis, pequenos momentos de alegria são possíveis.

Fonte:: estadao.com.br

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