O ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben Gvir, gerou polêmica ao publicar um vídeo nas redes sociais que mostra ativistas detidos de uma flotilha, que tentava chegar à Faixa de Gaza, sendo conduzidos de joelhos e com as mãos amarradas. As imagens, exibidas no perfil de Ben Gvir no X (antigo Twitter), foram acompanhadas da mensagem “Bem-vindos a Israel”. No vídeo, os ativistas aparecem no convés de um navio militar, enquanto o hino nacional de Israel toca ao fundo, além de cenas já em território israelense, onde o ministro hasteia a bandeira do país.
A conduta do ministro foi rapidamente condenada tanto no cenário interno quanto internacional. O primeiro-ministro Binyamin Netanyahu criticou Ben Gvir e declarou que já havia ordenado a deportação do grupo de ativistas. Em um comunicado, Netanyahu afirmou: “Israel tem todo o direito de impedir que flotilhas provocativas de apoiadores do Hamas entrem em nossas águas territoriais e cheguem a Gaza. No entanto, a maneira como o ministro Ben Gvir tratou os militantes da flotilha não está de acordo com os valores e padrões de Israel”. O premiê também ressaltou a necessidade de deportar os ativistas “o mais rápido possível”.
Além de Netanyahu, o ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Saar, também expressou suas críticas. Ele mencionou que Ben Gvir causou um dano intencional ao Estado com o que classificou como uma exposição vergonhosa. Em uma publicação no X, Saar declarou: “Você arruinou os enormes, profissionais e bem-sucedidos esforços realizados por tantas pessoas […] Não, você não é a cara de Israel”.
Ben Gvir, em resposta às críticas de Saar, argumentou que algumas pessoas no governo não compreendem adequadamente como lidar com apoiadores do terrorismo. “Espera-se do ministro das Relações Exteriores de Israel que compreenda que Israel deixou de ser um alvo fácil”, afirmou. Ele reiterou, em suas declarações, que aqueles que entrarem no país para apoiar o terrorismo e se identificarem com o Hamas enfrentarão consequências, sem que haja disposição para “oferecer a outra face”.
O Hamas, que controla a Faixa de Gaza, também se pronunciou sobre as imagens, denunciando-as como uma demonstração da “depravação moral” israelense. O grupo terrorista acusou Ben Gvir de orquestrar cenas de tortura e humilhação e afirmou que tais atos refletem o sadismo que permeia a mentalidade dos líderes israelenses.
A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, e o vice-primeiro-ministro, Antonio Tajani, se uniram às manifestações de repúdio, considerando inadmissível que os manifestantes, incluindo cidadãos italianos, tenham sido submetidos a um tratamento que desrespeita a dignidade humana. “É inadmissível que esses manifestantes, entre os quais há muitos cidadãos italianos, sejam submetidos a um tratamento que atenta contra a dignidade humana”, afirmaram em um comunicado conjunto.
O ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noël Barrot, tomou a iniciativa de convocar o embaixador israelense na França em resposta às “ações inaceitáveis” perpetradas por Ben Gvir. “Solicitei que o embaixador israelense na França seja convocado para expressar nossa indignação e obter explicações”, afirmou Barrot em uma publicação no X.
O Ministério das Relações Exteriores de Israel anunciou, na madrugada de quarta-feira, que 430 membros da flotilha Global Sumud, que contava com cerca de 50 barcos e tinha sido interceptada em 18 de outubro próximo à costa de Chipre, foram transferidos para Israel. Essa é a terceira tentativa do grupo em um ano de romper o bloqueio israelense imposto à Faixa de Gaza, um território severamente afetado pela guerra e que enfrenta uma grave escassez de recursos desde o início do conflito, que teve um episódio sem precedentes em outubro de 2023 com um ataque do Hamas contra Israel.
Fonte:: estadao.com.br




