Senado dos EUA abre caminho para medida que obrigaria Trump a encerrar a guerra contra o Irã

Redação Rádio Plug
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Foto: Divulgação / Estadao.com.br

Na última terça-feira, 19, o Senado dos Estados Unidos decidiu avançar com uma proposta que pode forçar o presidente Donald Trump a encerrar as operações militares no Irã, ou, alternativamente, a buscar autorização do Congresso para a continuidade dessas ações. A iniciativa ganhou apoio de alguns membros do Partido Republicano, que se uniram aos democratas em uma resolução que estava estagnada há meses.

O senador Bill Cassidy, do Louisiana, um republicano que recentemente perdeu as primárias após entrar na lista de alvos de Trump, foi um dos últimos a se aliar aos democratas, mudando seu voto a favor da solução para restringir os poderes de guerra do presidente. Essa mudança, somada à ausência de outros republicanos, foi crucial para que a resolução obtivesse avanços.

A votação teve um resultado de 50 a 47 a favor da proposta, liberando espaço para que a questão seja debatida e apreciada nas próximas semanas. Essa foi a oitava tentativa dos democratas, junto com o apoio de um único republicano, de limitar os poderes de guerra de Trump desde que ele deu início às operações militares, já no terceiro mês, que a maioria da população norte-americana acredita que não deveriam ter sido iniciadas.

O senador John Fetterman, da Pensilvânia, foi o único democrata a votar com os republicanos para barrar a proposta, enquanto Cassidy se juntou a outros três colegas republicanos no apoio ao avanço da resolução.

Na semana passada, uma pequena insatisfação entre os membros do Partido Republicano em relação à condução do conflito pelo presidente começou a emergir, influenciada pelo fato de Trump não ter solicitado autorização ao Congresso para extender as operações militares além do limite legal de 60 dias. Aproximadamente na mesma linha, tentativas anteriores de aprovar resoluções sobre poderes de guerra tanto na Câmara dos Deputados quanto no Senado enfrentaram derrotas apertadas.

Nesta terça-feira, as senadoras Lisa Murkowski, do Alasca, e Susan Collins, do Maine, que contestaram a posição do governo de que um frágil cessar-fogo havia prorrogado o prazo de 60 dias, uniram forças com o senador Rand Paul, do Kentucky, um crítico da intervenção militar internacional, para avançar a proposta junto aos democratas.

Embora a proposta tenha avançado, ainda não está claro quando o Senado fará a votação final sobre a resolução, que, se aprovada por ambas as casas, provavelmente enfrentará um veto de Trump.

A ausência de três senadores republicanos — Tommy Tuberville (Alabama), Thom Tillis (Carolina do Norte) e John Cornyn (Texas) — foi decisiva para que a proposta seguisse em frente, já que, nas sete tentativas anteriores, a maioria havia rejeitado a resolução. A deserção de Cassidy, no entanto, é um sinal do crescente descontentamento no partido sobre a administração do conflito pelo presidente e sua falta de diálogo com o Congresso.

O senador Tim Kaine, da Virgínia, que tem liderado os esforços para pressionar os colegas republicanos a apoiar o fim das operações no Irã, comentou: “Estamos vendo um movimento a nosso favor”.

Os democratas argumentam que a aprovação da nova medida seria um indicador claro para Trump sobre a mudança na opinião pública em relação à guerra. “O que realmente preocupa o presidente é sua popularidade e ele está começando a ver que mesmo membros de seu partido estão se manifestando contra sua liderança”, destacou Kaine.

Espera-se que a Câmara dos Deputados vote uma medida semelhante em breve, já que a proposta anterior foi rejeitada por uma margem mínima. Esta rejeição ocorreu após a deserção de dois republicanos que se uniram aos democratas frustrados pela falta de ação do presidente em relação ao prazo legal para obter autorização do Congresso.

Esse clima de instabilidade no cessar-fogo foi ampliado recentemente. Trump anunciou que iria adiar novos ataques contra o Irã para permitir que a diplomacia se desenvolvesse, mas, ao mesmo tempo, fez ameaças de um “ataque total e em grande escala” caso o Irã não atenda às exigências do governo americano.

Divergências entre os EUA e o Irã sobre o futuro do programa nuclear iraniano e sobre a situação no Estreito de Ormuz têm atrasado o andamento das negociações. Desde o início da guerra, o Irã tem dificultado a navegação pela vital rota marítima, o que tem contribuído para o aumento dos preços do petróleo, gás e combustível e alimentado a insatisfação nos EUA em relação à escalada dos custos energéticos.

Kaine acredita que o Senado não deve realizar a próxima votação sobre a resolução de poderes de guerra até após o Dia da Memória, que acontece na próxima segunda-feira, 25. Ele ainda ressalta que a repercussão da situação dos preços dos combustíveis deve fazer com que os senadores que se opuseram à medida reconsiderem suas posições. “As queixas sobre os preços da gasolina serão sentidas quando eles voltarem para casa”, concluiu.

Este conteúdo foi traduzido com o auxílio de ferramentas de Inteligência Artificial e revisado por nossa equipe editorial. Saiba mais em nossa Política de IA.

Fonte:: estadao.com.br

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