Defesa de Bolsonaro apresenta recurso contra proibição de visitas na prisão domiciliar

Redação Rádio Plug
4 min. de leitura
Foto: © Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro protocolou um recurso formal nesta sexta-feira (24) para tentar reverter a decisão judicial que o proibiu de receber visitas pelo período de 30 dias em sua residência, onde cumpre pena em regime de prisão domiciliar. A medida restritiva inicial foi imposta na semana passada pelo ministro Alexandre de Moraes, após a repercussão da publicação de uma carta nas redes sociais feita pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

De acordo com os fundamentos apresentados pelo magistrado responsável pela ordem, o ex-presidente descumpriu determinações judiciais vigentes ao permitir a veiculação de conteúdos por intermédio de terceiros, visto que ele próprio mantém uma proibição severa de utilização da internet e de meios digitais de comunicação. Diante do episódio, além do bloqueio temporário aos encontros presenciais, a decisão estendeu impedimentos específicos para o cenário político-eleitoral.

Contexto das restrições e desdobramentos políticos

Na mesma determinação que suspendeu as visitas de forma geral por um mês, o ministro Alexandre de Moraes estabeleceu que o ex-presidente não poderá receber quaisquer visitantes com finalidades político-eleitorais até o encerramento do pleito marcado para o mês de outubro. A regra também veda de maneira expressa a divulgação de manifestos, cartas ou pronunciamentos de cunho político por qualquer canal de comunicação, mesmo que a transmissão ocorra de forma indireta através de aliados, familiares ou assessores.

As restrições impostas pelo Supremo Tribunal Federal geraram forte movimentação jurídica por parte dos advogados de defesa, que buscam restabelecer garantias fundamentais do ex-mandatário no âmbito da execução da pena.

Argumentos da defesa no Supremo Tribunal Federal

No documento encaminhado ao Supremo Tribunal Federal, os advogados que representam Jair Bolsonaro sustentam que a imposição de barreiras à comunicação e aos encontros domiciliares fere preceitos básicos garantidos pela Constituição Federal. Para a defesa, as limitações aplicadas extrapolam os limites legais previstos para a execução penal e acabam por restringir indevidamente a liberdade de pensamento e de expressão de ideias do condenado.

“A decisão termina por impor restrição que não decorre da sentença, da lei ou da Constituição, além de representar sensível ampliação do alcance tradicionalmente atribuído às limitações próprias da execução penal, convertendo-a em instrumento de limitação ideológica, resultado incompatível com o regime constitucional das liberdades públicas”, argumentou a equipe jurídica no recurso protocolado.

Histórico do processo e quadro de saúde

O ex-presidente Jair Bolsonaro recebeu condenação definitiva no ano passado, fixada em 27 anos e três meses de reclusão, no âmbito das investigações e do processo que apurou uma trama golpista. Posteriormente, após a realização de procedimentos cirúrgicos e em decorrência de seu estado de saúde, obteve autorização judicial para migrar o cumprimento da pena para o regime de prisão domiciliar.

Atualmente, além de lidar com os desdobramentos jurídicos e as novas restrições impostas às suas visitas e comunicações, o ex-chefe do Executivo federal segue em processo de recuperação médica após ter sido diagnosticado com um quadro de pneumonia bacteriana.

Notícias relacionadas:

Fonte:: agenciabrasil.ebc.com.br

Anúncios
Compartilhe este artigo