Na última segunda-feira, 25 de maio de 2026, o papa Leão 14 divulgou sua primeira encíclica, intitulada “Magnifica humanitas”. Este importante documento trata da proteção da dignidade humana na era da inteligência artificial (IA). Durante a apresentação, o papa enfatizou a necessidade de que as tecnologias não sejam monopolizadas por um pequeno grupo, o que aumenta a desigualdade entre aqueles que têm acesso à revolução digital e os que são deixados de fora. A encíclica foi assinada no dia 15 de maio, data que marca os 135 anos da encíclica “Rerum Novarum”, de Leão 13, um marco na doutrina social da Igreja Católica.
As encíclicas papais são documentos oficiais do pontífice destinados a instruir bispos, padres e fiéis sobre questões doutrinárias, éticas ou sociais. No Brasil, de acordo com o Censo 2022, 56,7% da população se identifica como católica. Esta encíclica, que pode ser lida na íntegra (disponível em PDF), aborda as implicações da IA sobre a dignidade do ser humano, o mercado de trabalho, o processo decisório e a aplicação militar dessas tecnologias. O papa expressou preocupações em relação aos sistemas que permitem que máquinas tomem decisões críticas sobre a vida e a morte, considerando que isso representa um sério risco ético.
Leão 14 destacou que a tecnologia não deve ser vista como uma força oposta à humanidade ou como um mal inerente. No entanto, ele ressaltou que a tecnologia não é neutra; ela reflete os interesses de quem a concebe, financia e utiliza. O pontífice pediu que a tecnologia fosse empregada para a construção do bem comum.
O papa também abordou questões de justiça social na era digital, defendendo que deve haver um acesso equitativo às oportunidades, proteção para os mais vulneráveis, combate ao ódio e à desinformação, e a necessidade de submetê-la a um controle público. “Os imigrantes representam um teste decisivo nesse aspecto”, afirmou Leão 14, ressaltando que a forma como a sociedade os acolhe indica se a noção de justiça é fundamentada no medo ou na fraternidade.
O pontífice reiterou que a promoção do bem comum nunca deve desconsiderar o respeito pelos direitos dos povos, como a preservação de suas identidades e contribuições culturais. Ele classificou qualquer tentativa de aniquilar ou submeter uma nação como moralmente inaceitável.
No terceiro capítulo da encíclica, Leão 14 enfatizou a importância de uma abordagem cautelosa em relação à IA, ressaltando a responsabilidade em todas as suas etapas. Ele também defendeu a implementação de políticas e marcos legais adequados, além de uma vigilância independente e da educação dos usuários sobre o uso da tecnologia.
O papa defendeu a necessidade de criar um código ético que respeite os critérios de justiça social, afirmando que “não adianta ter uma IA mais ética se essa ética for definida por poucos”. Ele solicitou maior transparência nos critérios utilizados para a seleção de conteúdos e destacou a importância de um jornalismo que priorize a verificação, utilizando a IA de forma correta e crítica.
Por fim, Leão 14 propôs “desarmar a IA”, afastando-a da lógica da competição militar, econômica e cognitiva, sublinhando que não deve haver predominância da tecnologia sobre o ser humano. Para ele, “não existe algoritmo que torne a guerra moralmente aceitável”.
Assista ao vídeo do papa apresentado a encíclica (1h45min35s):

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Fonte:: poder360.com.br




