Presidente israelense designa Gadi Eisenkot para articular nova administração no país

Redação Rádio Plug
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Foto: Divulgação / Foto: Redação AFP

O cenário político de Israel passou por uma reviravolta neste sábado, dia 7, quando o presidente do país, Isaac Herzog, comunicou oficialmente que dará ao principal líder da oposição, Gadi Eisenkot, a missão de estruturar um novo gabinete governamental. A decisão ocorre após o pleito legislativo realizado nos últimos dias de outubro.

De acordo com nota oficial emitida pela residência presidencial, o chefe de Estado realizou o convite formal e a cerimônia de entrega do mandato está agendada para ocorrer no domingo, a partir das 17h, no complexo oficial. A partir do momento em que receber a incumbência formal, o parlamentar opositor disporá de um prazo inicial de 28 dias para articular as alianças necessárias e assegurar o apoio da maioria no parlamento, prazo este que ainda pode ser estendido por mais duas semanas, caso seja avaliado como necessário.

Caso o político não obtenha êxito nas negociações dentro do período estipulado, a prerrogativa passará para outro nome. Se todas as tentativas de composição governamental se esgotarem sem um acordo viável, o país poderá enfrentar a convocação de novas eleições gerais.

Logo após vir a público o anúncio de sua indicação, Gadi Eisenkot utilizou sua conta na rede social X para se manifestar e assegurar que empregará o máximo de energia na missão institucional. O opositor destacou que o momento exige a consolidação de uma gestão voltada para a união e a superação de crises. “Agora é hora de formar um governo de emergência nacional. Farei de tudo para garantir que sejamos dignos dessa tarefa”, declarou.

Apoio de partidos árabes e enfraquecimento da base opositora tradicional

A indicação de Eisenkot ganhou tração decisiva após movimentações importantes no tabuleiro político israelense. Na última quinta-feira, a Lista Unificada, principal legenda de representação árabe em Israel, declarou publicamente seu respaldo ao nome do opositor. O posicionamento teve como objetivo direto barrar a continuidade do atual primeiro-ministro. Conforme nota oficial divulgada pela legenda, a escolha atendeu a uma “demanda popular de impedir o retorno de Netanyahu e seu governo ao poder”.

Paralelamente, o cenário para o atual premié Binyamin Netanyahu sofreu um baque significativo. O partido Judaísmo Unido da Torá (JUT), que mantinha uma aliança sólida de três décadas com o líder conservador, decidiu adotar uma postura de abstenção em meio a impasses relacionados à obrigatoriedade do serviço militar para estudantes de seminários religiosos. Essa dissidência reduziu consideravelmente a margem de manobra do atual chefe de governo para pleitear a liderança da nova administração.

A matemática parlamentar na Knesset

Para garantir a governabilidade no sistema político de Israel, são necessários pelo menos 61 votos favoráveis entre os 120 deputados que compõem a Knesset, o parlamento unicameral do país. Nas apurações iniciais após as urnas, o bloco liderado por Netanyahu contabilizou 53 assentos, enquanto a coalizão opositores liderada por Eisenkot somou 48 cadeiras.

Contudo, com a decisão do Judaísmo Unido da Torá de se abster, o número de apoios declarados a Netanyahu despencou para 46. Em contrapartida, a articulação de Eisenkot avançou de forma robusta ao agregar apoios fundamentais, alcançando a marca de 67 recomendações formais.

Além da Lista Unificada, o bloco liderado pelo opositor já havia assegurado o respaldo do Raam, outra legenda influente que representa os interesses da comunidade árabe-israelense, consolidando uma frente ampla para tentar estabilizar a administração do país nas próximas semanas.

Fonte:: estadao.com.br

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