O cenário político do Paraná para as eleições de 2026 desenha uma intensa movimentação nos bastidores com a tentativa de retorno de figuras tradicionais e bastante conhecidas do eleitorado estadual. Trata-se de um grupo de políticos tarimbados que, por diferentes razões, passaram anos afastados dos cargos eletivos — alguns devido a derrotas recentes, outros em decorrência de condenações judiciais, cassações ou períodos de inelegibilidade — e que agora buscam uma nova oportunidade de ocupar mandatos no Legislativo federal ou estadual.
Entre os nomes de maior destaque nacional e estadual está o de Roberto Requião. Com uma trajetória longeva que inclui passagens como prefeito de Curitiba nos anos 1980, deputado estadual, quatro mandatos como senador e três como governador do Paraná, Requião tenta agora uma cadeira na Câmara dos Deputados pelo PDT. Aos 85 anos, o político está sem mandato eletivo desde o início de 2019, quando encerrou seu último período no Senado, tendo disputado o governo estadual em 2022 e a prefeitura da capital em 2024 sem sucesso.
Mov movimento semelhante é observado em outras lideranças históricas do estado. Dr. Rosinha, filiado ao PT, colocou seu nome à disposição na disputa por uma vaga no Senado Federal. Sua última participação em eleições havia ocorrido em 2018, quando concorreu ao governo estadual. Anteriormente, acumulou uma longa sequência de mandatos como vereador de Curitiba, deputado estadual e deputado federal, atuando ininterruptamente entre 1989 e 2015.
No âmbito da Câmara dos Deputados, Hermes Frangão Parcianello, do União Brasil, também figura na lista dos veteranos que buscam retornar a Brasília. Parcianello exerceu sete mandatos consecutivos como deputado federal entre 1995 e 2022, mas terminou a última eleição geral apenas como suplente pelo MDB, tentando agora recuperar sua cadeira no Congresso.
Outros nomes tradicionais miram a Assembleia Legislativa do Paraná. Angelo Vanhoni (PT) e Alex Canziani (Avante) buscam vagas no parlamento estadual. Vanhoni, que atualmente exerce mandato como vereador em Curitiba (cargo que também ocupou entre 1989 e 1995), tem em seu currículo passagens como deputado estadual entre 1995 e 2007 e deputado federal de 2007 a 2015. Já Canziani foi vereador de Londrina na década de 1990 e atuou como deputado federal por duas décadas, entre 1999 e 2019, tendo exercido recentemente o cargo de secretário estadual de Inovação e Inteligência Artificial entre 2024 e 2026. Ele é pai da atual deputada federal Luíza Canziani.
O retorno de políticos que enfrentaram a inelegibilidade
O pleito de 2026 também abre espaço para figuras que tentam retornar à vida pública após cumprirem períodos de inelegibilidade ou reverter decisões judiciais passadas. É o caso do ex-deputado estadual, ex-deputado federal e ex-secretário de Segurança Pública do Paraná, Delegado Francischini (PL). Ele teve seu mandato cassado no final de 2021 após condenação por divulgar informações consideradas falsas sobre o sistema eletrônico de votação durante as eleições de 2018. Agora, tenta viabilizar seu retorno ao Congresso Nacional.
Outra figura que tenta voltar à Câmara dos Deputados é Boca Aberta (Republicanos), ex-vereador de Londrina e ex-deputado federal. O político acumulou cassações em sua trajetória: a primeira por quebra de decoro parlamentar relacionada a uma arrecadação coletiva para pagamento de multa eleitoral, e posteriormente teve sua eleição federal invalidada pelo Tribunal Superior Eleitoral com base na Lei da Ficha Limpa, devido à perda anterior do mandato municipal.
A situação jurídica de Alfredo Kaefer (PRD) segue na dependência de análises do Poder Judiciário. O empresário exerceu quatro mandatos como deputado federal entre 2007 e 2019, mas enfrentou barreiras eleitorais recentes após condenação pelo Supremo Tribunal Federal em 2019 relacionada a operações financeiras entre empresas de seu grupo econômico. Ele tenta reverter os impedimentos legais para viabilizar sua candidatura.
Figuras marcadas por escândalos buscam nova chance nas urnas
O cenário das próximas eleições também inclui nomes que se envolveram em graves escândalos políticos no passado e que tentam reconstruir suas carreiras eleitorais.
André Vargas (PT), que chegou a ocupar a vice-presidência da Câmara dos Deputados, é um dos nomes que tenta retornar a Brasília. Ele teve o mandato cassado no contexto das investigações da Operação Lava Jato, chegando a cumprir pena de prisão. Após o Supremo Tribunal Federal anular as condenações sob o entendimento de incompetência jurisdicional da vara de origem, o político retomou sua filiação partidária e articula uma nova candidatura.
Outro candidato ao parlamento federal é João Cláudio Derosso (PSDB). Ex-vereador de Curitiba por cinco mandatos e ex-presidente da Câmara Municipal, ele teve o mandato cassado em 2012 por infidelidade partidária, período em que também enfrentou denúncias de corrupção envolvendo contratos firmados pelo Legislativo municipal com uma empresa ligada a familiares.
Na disputa por uma vaga na Assembleia Legislativa, Custódio da Silva (Avante) tenta retornar ao cenário político estadual. Vereador curitibano por quatro mandatos e deputado estadual suplente entre 2001 e 2002, ele foi condenado e preso em 2011 devido a desvios de recursos públicos relacionados a irregularidades na gestão de cargos comissionados em seu gabinete parlamentar, cumprindo pena até 2014.
Fonte:: bemparana.com.br




