O asfaltamento de vias urbanas vai muito além da melhoria nas condições de tráfego e mobilidade, gerando impactos diretos e expressivos na saúde pública ao eliminar a inalação constante de partículas de poeira. Criado pelo Governo do Estado em 2023, o programa Asfalto Novo, Vida Nova já pavimentou 839 quilômetros de ruas e avenidas, conseguindo retirar de circulação cerca de 50.466 toneladas de poeira em todo o território paranaense, promovendo avanços significativos na qualidade de vida dos moradores.
Os dados foram obtidos por meio de um levantamento técnico realizado pelo engenheiro Ricardo Rocha, vinculado à Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti). Para dimensionar o impacto ambiental e sanitário, o estudo aponta que a carga poluidora evitada equivale à retirada de circulação de 4.205 caminhões-caçamba lotados de terra que antes ficavam suspensos no ar. Os cálculos indicam que um único veículo rodando por um quilômetro em uma via sem pavimentação é capaz de gerar 823,15 gramas de poeira em suspensão.
Além de sujar as residências e o ambiente urbano ao redor, uma parcela expressiva desse material particulado acaba sendo inalada pelas famílias que residem nesses locais, desencadeando e agravando quadros de doenças respiratórias. A pesquisa técnica também aponta que a pavimentação das vias resulta em uma economia estimada de R$ 21 milhões aos cofres públicos na área da saúde, decorrente da expressiva redução na busca por atendimentos médicos.
Investimentos e urbanização voltada para o futuro
Executado de forma conjunta pela Secretaria das Cidades (Secid) e pelo Paranacidade, o programa Asfalto Novo, Vida Nova já recebeu aportes financeiros superiores a R$ 2 bilhões ao longo dos últimos três anos. Na avaliação do secretário estadual das Cidades, Fernando Giacobo, a iniciativa representa uma política pública de urbanização estruturante, projetada para solucionar demandas imediatas e preparar os municípios paranaenses para os desafios das próximas décadas.
O secretário ressalta projeções que indicam que, até o ano de 2030, cerca de 92% da população do Paraná estará concentrada em áreas urbanas. Atualmente, o foco da iniciativa está voltado para os municípios de pequeno porte — 364 das 399 cidades do Estado possuem menos de 50 mil habitantes.
“É o maior programa de pavimentação urbana da América Latina, dentro de um esforço determinado pelo governador para levar condições dignas de vida à população paranaense”, afirma Fernando Giacobo. “Mais do que uma política pública voltada para a melhoria da mobilidade urbana, ela representa um impacto positivo significativo na saúde da população”, enfatiza o gestor.
Impactos diretos no sistema de saúde
No âmbito estadual, a Secretaria da Saúde (Sesa) coordena o programa Vigiar, uma estratégia focada em monitorar e avaliar os reflexos da emissão de poluentes sobre a saúde coletiva e o bem-estar dos cidadãos. De acordo com Márcia Prokopiuk, chefe da Divisão de Vigilância sobre o Meio da Coordenadoria de Vigilância Ambiental da Sesa, o material particulado em suspensão é um dos elementos centrais analisados nas pesquisas epidemiológicas.
“Um dos pontos críticos da poluição urbana que avaliamos na Sesa é a gerada pelo trânsito de veículos em ruas não pavimentadas, o que intensifica problemas respiratórios e cardiovasculares”, relata Márcia. “Entre eles, estão doenças como a asma, a bronquite e a rinite, isso porque partículas finas de silte e argila costumam penetrar facilmente nas vias aéreas, agravando quadros clínicos, principalmente entre crianças, idosos e pessoas com condições preexistentes”, pontua.
Características geológicas e o desafio da terra roxa
O planejamento do programa também levou em consideração análises geológicas detalhadas dos solos e o índice pluviométrico de cada região paranaense, permitindo mapear com precisão os locais com maior concentração de partículas empoeiradas. A região Norte do Estado, por exemplo, destaca-se como uma das mais afetadas devido às características da terra roxa, que produz fragmentos minerais menores e mais leves, facilitando a inalação por parte dos moradores.
Como reflexo do avanço das obras, cinco municípios da Região Norte já atingiram a marca de 100% de pavimentação urbana: Alvorada do Sul, Cambará, Flórida, Miraselva e Sertaneja, registrando melhorias expressivas nos indicadores de saúde pública local. Nesses solos, o pó tende a ser extremamente fino, formando nuvens densas e avermelhadas durante os períodos de estiagem e tráfego intenso.
“A colocação de asfalto numa via sem nenhuma pavimentação, mais a construção de galerias de águas pluviais reduz 99,5% das emissões de poeira. A obra causa uma melhoria na circulação por estas vias e traz benefícios à saúde da população que mora nestes locais, pois reduz as doenças respiratórias, internamentos e faltas ao trabalho”, conclui o engenheiro Ricardo Rocha.
Fonte:: seti.pr.gov.br




