Setor produtivo aciona o supremo contra extinção da jornada seis por um

Redação Rádio Plug
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Foto: © CNI/Divulgação

As principais entidades representativas do setor produtivo brasileiro movimentaram o cenário jurídico nacional nesta quarta-feira (4) ao ingressar com uma ação direta no Supremo Tribunal Federal (STF). A iniciativa busca suspender os efeitos da Emenda Constitucional 141 de 2026, promulgada recentemente pelo Congresso Nacional, que decretou o fim da tradicional escala de trabalho 6×1 no país.

De acordo com os argumentos apresentados conjuntamente pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), a nova legislação gera graves impactos na segurança jurídica das relações trabalhistas, além de ferir preceitos constitucionais fundamentais como a livre iniciativa econômica e a autonomia coletiva na negociação entre patrões e empregados.

Impactos financeiros e operacionais apontados pela indústria

No documento protocolado na Suprema Corte, a CNI destaca que a mudança abrupta na estrutura das jornadas de trabalho vai interferir diretamente nos acordos e convenções coletivas que já se encontram em vigor, gerando conflitos contratuais entre as empresas e os trabalhadores afetados pelas novas regras.

“As convenções e acordos coletivos de trabalho vigentes devem manter plenos efeitos até o término regular de seus prazos de vigência ou até que sobrevenha nova pactuação coletiva autônoma”, argumenta a entidade industrial em trecho da petição jurídica.

No que tange aos reflexos econômicos para o setor produtivo, a confederação realizou projeções que indicam um aumento substancial nos custos operacionais. Segundo a análise, a redução da jornada semanal somada à obrigatoriedade de ampliação do repouso semanal remunerado, sem que haja qualquer tipo de decréscimo salarial para os profissionais, elevará o custo do trabalho formal na indústria em cerca de 11,1%. Em termos financeiros absolutos, esse percentual representa um impacto estimado de R$ 88 bilhões para o parque industrial brasileiro.

A entidade também chamou a atenção para as particularidades de setores produtivos cujas plantas fabris operam de maneira contínua, sem interrupções. Historicamente, esses segmentos sempre pautaram suas atividades em negociações coletivas específicas para a definição de regimes de compensação de horas, englobando ciclos plurimensais ou anuais, bem como previsões legais voltadas a jornadas e descansos cumulativos que agora estariam ameaçadas.

Estratégia do comércio e contexto da aprovação

Por sua vez, a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) adotou uma linha complementar na contestação judicial e informou que pretende buscar alternativas para adiar o início efetivo da redução nas horas de trabalho para outubro de 2027. Pelo cronograma atual estabelecido pela emenda, a nova jornada de trabalho entraria em vigor já em 15 de dezembro deste ano.

O fim da escala 6×1 foi aprovado pelo Senado Federal no mês passado, em uma votação histórica que mobilizou tanto a base governista quanto os partidos de oposição, após o texto já ter percorrido com sucesso os trâmites necessários na Câmara dos Deputados.

Com a nova regra, o modelo anterior dá lugar a uma jornada máxima baseada no formato 5×2, garantindo obrigatoriamente dois dias de descanso remunerado por semana aos trabalhadores, também sem redução nos vencimentos. O projeto aprovado estabeleceu ainda uma regra de transição com duração de 14 meses para a adaptação gradual do limite semanal, que passa de 44 para 40 horas.

Enquanto o setor empresarial busca barreiras jurídicas no STF, o movimento sindical e entidades de classe comemoraram a alteração legislativa, apontando que a nova configuração temporal permitirá que o trabalhador desfrute de maior convivência familiar, tempo livre para cuidados com a saúde e oportunidades para dedicação a atividades educacionais e de lazer.

Corroborando o apelo popular da medida, um levantamento de opinião realizado em fevereiro pela Nexus apontou que aproximadamente 73% da população brasileira manifestou apoio à extinção da escala de trabalho 6×1.

Próximos passos do governo federal

Diante da repercussão e da necessidade de regulamentação prática da emenda constitucional, o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, confirmou que o governo federal deve publicar na próxima segunda-feira (9) um decreto específico para detalhar as diretrizes de transição.

A norma governamental terá a finalidade de estabelecer parâmetros claros para a organização das jornadas nos diversos subsetores da economia, assegurando o cumprimento do direito a pelo menos oito folgas mensais aos empregados. O texto terá como objetivo coordenar a adoção das diferentes escalas de trabalho nos setores econômicos, sem comprometer os direitos dos empregados nem o funcionamento das empresas.

Cabe agora ao Supremo Tribunal Federal analisar os argumentos apresentados pelas entidades patronais e decidir se concede medidas cautelares para suspender ou modificar os prazos estipulados pela Emenda Constitucional 141, em um debate que promete intensificar as discussões sobre as leis trabalhistas no país nas próximas semanas.

Fonte:: agenciabrasil.ebc.com.br

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