Quatro cidadãos brasileiros figuram entre os tripulantes detidos pelas autoridades da Islândia no Porto de Reykjavík. A retenção ocorreu no contexto de uma operação internacional liderada pela Captain Paul Watson Foundation, voltada para o enfrentamento da caça de baleias nas águas do Atlântico Norte. A embarcação envolvida na ação, batizada de Bandero, conta com uma tripulação multiétnica composta por 21 pessoas de dez nacionalidades distintas.
O navio, originalmente construído para funções de patrulha pesqueira e registrado sob bandeira do Panamá, foi interceptado pela guarda costeira e pelas forças policiais islandesas. A operação de abordagem mobilizou embarcações de apoio e um helicóptero durante a navegação, que ocorreu em uma quinta-feira. Após o ingresso das autoridades locais a bordo, o comando do Bandero foi assumido compulsoriamente e a embarcação acabou escoltada até o porto.
Nos primeiros momentos após a interceptação, a tripulação teve os meios de comunicação restritos. Apenas após o transcurso de um dia completo é que os ativistas receberam permissão para utilizar seus computadores pessoais e estabelecer contato com os familiares. O capitão da embarcação perdeu temporariamente o controle operacional do navio, que permanece oficialmente retido em solo islandês enquanto a tripulação aguarda a realização dos depoimentos formais.
Diante da situação, representantes da Sea Shepherd Brasil e da Captain Paul Watson Foundation formalizaram um pedido de assistência urgente junto ao Governo brasileiro. O objetivo da demanda diplomática é assegurar o acompanhamento consular adequado aos compatriotas retidos, que seguem impedidos de abandonar o navio.
Histórico de atuação e repercussão
A Sea Shepherd atua globalmente na conservação dos ecossistemas marinhos, utilizando métodos de ação direta e documentação para coibir práticas consideradas ilegais contra a fauna aquática, como a pesca predatória e a caça de cetáceos. Fundada em 1977, a instituição argumenta que a campanha realizada pelo Bandero ocorria de maneira pacífica, sem representar ameaças físicas a outras embarcações ou tripulações presentes na região.
Identificação dos brasileiros a bordo
Entre os tripulantes de nacionalidade brasileira detidos na Islândia está o contramestre Vitor Young, de 32 anos, natural de Santos, no litoral paulista. Familiares relataram que o jovem integra a tripulação do Bandero há aproximadamente dois meses. O contato inicial com os pais ocorreu de forma breve após a liberação do uso de notebooks. A expectativa dos familiares concentra-se na prestação de esclarecimentos para a célere liberação dos ativistas, embora persista a incerteza jurídica sobre o destino do navio.

Além do contramestre santista, o grupo de brasileiros inclui o marinheiro Victor Calixto, de 23 anos, originário de Ilhabela (SP); o médico Rui Amorim, de 52 anos, residente em Fortaleza (CE); e o cozinheiro Lucas Barbosa, de 28 anos, natural de Craíbas (AL). Todos permanecem sob custódia administrativa e aguardam os desdobramentos diplomáticos e jurídicos do caso na Europa.
Fonte:: conjur.com.br




