A Empresa Brasil de Comunicação (EBC) divulgou um posicionamento oficial para esclarecer que não possui qualquer responsabilidade sobre a falha no áudio registrada durante a exibição do programa do candidato Flávio Bolsonaro (PL). A manifestação ocorre após a defesa do candidato protocolar uma notificação na Justiça Eleitoral na última terça-feira, direcionando acusações à direção da estatal e exigindo apuração sobre o equívoco na transmissão veiculada na segunda-feira.

De acordo com a empresa pública, o problema técnico afetou de maneira idêntica todas as emissoras responsáveis por retransmitir o horário eleitoral gratuito. A nota pontua que toda a rotina de operação e exibição da propaganda presidencial fica a cargo do pool de emissoras. O texto detalha que, no momento específico da ocorrência, a responsabilidade operacional pertencia à TV Senado, enquanto o suporte técnico para download e montagem dos arquivos foi executado por um profissional cedido pela TV Câmara.
A estrutura do pool de rádio e televisão é coordenada pela Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (ABERT), amparada pelas diretrizes do Tribunal Superior Eleitoral. Pelo planejamento estipulado para o segundo turno, cabe a esse consórcio de veículos o recebimento das mídias enviadas pelas campanhas e a distribuição do sinal para todo o território nacional.
Defesa da presidência e rejeição a ataques
O comunicado da EBC também rebateu diretamente os questionamentos direcionados à diretora-presidente da instituição, Antonia Pellegrino. A nota destacou a trajetória profissional da gestora, mestre em Administração Pública e roteirista premiada, ressaltando sua atuação à frente de projetos como a reformulação da programação da emissora nos últimos anos.
Para a direção da estatal, a tentativa de associar o erro técnico operacional a uma conduta dolosa da presidência configura uma narrativa sem fundamentos que culmina em episódios de violência política de gênero, buscando desqualificar a atuação institucional da gestora através de conjecturas infundadas.
Ministério Público recomenda arquivamento
Em paralelo aos desdobramentos políticos, o Ministério Público Eleitoral emitiu parecer favorável ao encerramento da representação criminal protocolada contra a direção da EBC.
No documento, o promotor responsável pelo caso pontua que meras especulações vinculadas ao calendário eleitoral ou a laços institucionais não substituem a exigência legal de provas mínimas sobre a existência de dolo ou crime. O parecer enfatiza que falhas operacionais e imprevistos técnicos em softwares e equipamentos de transmissão não podem ser convertidos automaticamente em infrações penais eleitorais.
Abaixo, encontra-se a transcrição integral da manifestação emitida pela EBC:
“Antonia Pellegrino é roteirista premiada pela Academia Brasileira de Cinema e pela Academia Brasileira de Letras. Mestre em Administração Pública, Pellegrino foi diretora de Conteúdo e Programação da EBC, entre 2023 e 2026, tendo sido responsável pela reconstrução da TV Brasil, a retomada do Sem Censura e a estratégia do futebol feminino. São realizações como estas que a alçaram à presidência da empresa, cargo que ocupa desde abril deste ano.
O que aconteceu no dia 12 de outubro foi uma falha técnica, que atingiu todas as emissoras igualmente – e está sendo transformada em perseguição. Perseguição precisa de vilã. A vilã escolhida precisa ser uma mulher e ela é menos confiável ainda, porque é justificada apenas pelo homem com quem é casada ou por uma mulher de quem é amiga. Isso tem nome e até Lei: chama violência política de gênero. Desqualificar uma mulher pelo marido, pela suspeita sem prova, até que a presença dela no lugar onde se decide pareça ilegítima.
A falha de áudio na propaganda eleitoral do Partido Liberal, exibida às 13h da última segunda-feira, atingiu igualmente todas as emissoras que transmitem o horário eleitoral gratuito. Toda a operação de exibição da propaganda presidencial é de responsabilidade do pool de emissoras.
No dia e horário em questão, a operação estava a cargo da TV Senado. E o técnico designado para baixar os vídeos da plataforma, levá-los para a ilha, montar os programas e exportá-los era um editor de vídeo da TV Câmara. O pool que opera o horário eleitoral é formado pelas emissoras de rádio e televisão e organizado pela Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (ABERT), nos termos do art. 64 da Resolução TSE nº 23.610/2019. Pelo plano de mídia do 2º turno (Resolução TSE nº 23.778/2026), cabe ao pool receber as mídias das campanhas e gerar o sinal da propaganda distribuído a todo o país. A divisão de tarefas dentro do pool é definida pela ABERT.
Mais uma vez, a EBC refuta a informação de que foi responsável por qualquer erro.”
Fonte:: agenciabrasil.ebc.com.br



