O deputado federal Kim Kataguiri (Missão-SP) utilizou suas redes sociais para manifestar forte oposição às declarações da primeira-dama, Janja Lula da Silva, que defendeu o bloqueio do aplicativo Discord em todo o território nacional. A controvérsia surgiu após investigações apontarem a morte de uma adolescente de 13 anos induzida à automutilação durante uma transmissão ao vivo na plataforma.
Em sua publicação na rede social X (antigo Twitter), o parlamentar questionou a legitimidade da proposta da primeira-dama e criticou a postura do governo federal diante do caso. “Por que a primeira-dama está mandando tirar algo do ar? Quem votou nela? Além desse absurdo, tirar a plataforma do ar apenas fará os criminosos trocarem de plataforma”, argumentou o deputado.
Críticas à medida e comparação com estabelecimentos físicos
Para ilustrar seu ponto de vista, Kataguiri comparou a aplicação de sanções a uma rede social com a punição a estabelecimentos físicos, afirmando que a ferramenta digital não tem culpa pelas ações de seus usuários. Ele classificou como inadmissível que o país permaneça sob decisões que considera ineficazes por parte da gestão pública.
O parlamentar detalhou ainda que a utilidade principal da plataforma envolve a comunicação entre jogadores durante partidas de jogos eletrônicos populares, como Counter-Strike, Dota e League of Legends. Na visão do deputado, banir o aplicativo não resolve o problema da criminalidade digital.
“Seria a mesma coisa de eu falar: ‘Olha, eu vou fechar todos os bares do país porque num bar uma pessoa matou a outra, porque num bar planejaram um atentado terrorista, porque num bar planejaram um assassinato’. O culpado não é o bar, o culpado são os criminosos. O culpado não é a plataforma, não é o local onde aconteceu porque poderia acontecer em qualquer plataforma que tem live, em qualquer plataforma que tem chat”, declarou Kataguiri.
Posicionamento da Advocacia-Geral da União
A discussão ganhou força institucional quando o advogado-geral da União, Jorge Messias, anunciou que o órgão acionará a Justiça para buscar a responsabilização do Discord e requerer a suspensão temporária dos serviços no Brasil. O anúncio ocorreu durante a cerimônia de sanção de um projeto de lei voltado ao combate e à repressão da violência sexual infantojuvenil.
Segundo o chefe da AGU, a empresa falha ao não demonstrar alinhamento com o ordenamento jurídico brasileiro e ao carecer de salvaguardas robustas para proteger crianças e adolescentes. A intenção do órgão governamental é protocolar uma ação civil pública exigindo medidas duras contra a companhia responsável pelo aplicativo.
Cabe ao Poder Judiciário analisar o pedido e decidir se a empresa responderá legalmente pelo ocorrido e se haverá a interrupção das atividades da ferramenta no país.
Enquanto o debate sobre a moderação de conteúdo e a segurança digital prossegue, a plataforma informou em ocasiões anteriores que adota protocolos de verificação de idade para o acesso a determinados recursos e conteúdos restritos, utilizando tecnologias como reconhecimento facial e checagem de documentos de identificação.
Assista ao vídeo da manifestação do deputado:
📷#vídeo Kim Kataguiri critica Janja por ter proposto banir Discord
💻O deputado federal Kim Kataguiri (Missão-SP) usou seu perfil no X para criticar uma declaração da primeira-dama, Janja Lula da Silva, em que ela propõe que o Discord seja bloqueado no… pic.twitter.com/Yo9VkB7wVA
— Poder360 (@Poder360) August 7, 2026
Fonte:: poder360.com.br




