Polícia federal mira desvio de verbas para filme sobre ex-presidente Bolsonaro

Redação Rádio Plug
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Medidas foram autorizadas pelo ministro Flávio ...

A Polícia Federal deflagrou uma operação de grande envergadura nesta quinta-feira para cumprir dezenas de mandados de busca e apreensão em diferentes regiões do país. A ofensiva tem como alvo investigados por um suposto esquema de desvio de recursos públicos originados de emendas parlamentares, que teriam como destino final o financiamento da produção cinematográfica da cinebiografia Dark Horse, focada na trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.

As ordens judiciais foram expedidas pelo ministro Flávio Dino, integrante do Supremo Tribunal Federal. No total, os agentes federais saíram às ruas para cumprir 49 mandados em endereços ligados a 29 pessoas físicas e jurídicas. As diligências se concentram no Distrito Federal e em três estados estratégicos: São Paulo, Rio de Janeiro e Ceará.

Entre os principais alvos mapeados pelas investigações estão figuras de destaque no cenário político e cultural, incluindo o deputado federal Mario Frias, do Partido Liberal de São Paulo, apontado como o autor das emendas parlamentares questionadas, e a produtora cinematográfica Karina Gama, responsável pelo projeto do longa-metragem.

Esquema sob suspeita e crimes investigados

De acordo com os levantamentos preliminares da corporação policial, o caso envolve a atuação coordenada de uma suposta organização criminosa estruturada com a participação de agentes públicos e atores da iniciativa privada. O núcleo do esquema consistiria no direcionamento estratégico de verbas públicas para empresas subcontratadas que operavam de maneira irregular, muitas vezes sem apresentar qualquer comprovação efetiva sobre a prestação dos serviços contratados.

Diante do material probatório acumulado até o momento, a Polícia Federal aponta que as condutas praticadas pelos investigados podem configurar uma série de crimes graves previstos na legislação brasileira. Entre os delitos sob apuração estão os crimes de peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, formação de organização criminosa e fraudes relacionadas a licitações públicas.

A investigação em curso teve origem formal no Supremo Tribunal Federal após uma representação apresentada pela deputada federal Tabata Amaral, do Partido Socialista Brasileiro de São Paulo, que acionou os órgãos de controle para apurar a destinação dos recursos públicos.

Conexões institucionais e conflitos de competência

O andamento desta petição principal acabou cruzando com outros episódios de grande repercussão dentro da mais alta corte de justiça do país. Nos mesmos autos em que autorizou a operação desta quinta-feira, o ministro Flávio Dino havia determinado, na véspera, a reintegração de Andrei Rodrigues ao cargo de diretor-geral da Polícia Federal. Rodrigues havia sido afastado um dia antes por determinação do ministro André Mendonça.

A situação gerou um embate de decisões no tribunal. Pouco tempo após a movimentação de Dino, o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Luiz Edson Fachin, suspendeu os efeitos das medidas tomadas tanto por Mendonça quanto por Dino, centralizando provisoriamente as apurações na presidência da corte, embora o diretor-geral tenha permanecido no posto naquele momento.

A manobra pela reversão do afastamento havia sido solicitada pela própria defesa institucional de Rodrigues nos autos do caso relacionado ao filme. O argumento central era de que a medida cautelar anterior causava graves prejuízos à estrutura organizacional da equipe encarregada das investigações, além de atrasar o fluxo de informações e comprometer a eficácia e a celeridade das diligências conduzidas pela força-tarefa policial.

O trâmite processual segue concentrado na Petição 16.669, onde novos desdobramentos sobre a aplicação das verbas públicas e a legalidade dos repasses deverão ser avaliados pela Suprema Corte nas próximas fases da instrução.

Fonte:: conjur.com.br

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