Servidores públicos de Araucária paralisam atividades e protestam contra projetos de lei

Redação Rádio Plug
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Foto: Divulgação / Rede190.com.br

Na manhã desta terça-feira (29), servidores públicos municipais pertencentes ao quadro geral e ao magistério de Araucária cruzaram os braços e iniciaram uma paralisação por tempo indeterminado. A mobilização teve início logo nas primeiras horas do dia com um ato público expressivo em frente à sede da Câmara Municipal. Organizado conjuntamente pelo Sindicato dos Servidores do Magistério Municipal de Araucária (SIFFAR) e pelo Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Araucária (SISMMAR), o protesto reuniu aproximadamente 1.500 trabalhadores da educação e de diversas outras áreas da administração local.

A manifestação ocorreu de forma simultânea à pauta de votação em primeiro turno dos Projetos de Lei nº 2.839 e 2.841/2026, além da Proposta de Emenda à Lei Orgânica nº 11/2026. Apesar da intensa pressão exercida pela categoria do lado de fora do prédio legislativo, as matérias acabaram sendo aprovadas pela maioria dos vereadores presentes na sessão. O pacote legislativo em questão tem gerado forte debate e preocupação entre os servidores desde o seu anúncio, resultando no acirramento dos ânimos entre a base trabalhadora e a gestão municipal.

Tensão e confronto durante a votação

O clima de tensão na Câmara Municipal escalou rapidamente durante a chegada dos manifestantes. De acordo com relatos das entidades sindicais e dos próprios trabalhadores presentes no local, os servidores teriam sido impedidos pelas forças de segurança de acessar as dependências do plenário para acompanhar a votação de perto. A restrição de entrada gerou revolta e empierramentos nos portões de acesso ao Legislativo.

A situação culminou em momentos de truculência e conflito. Houve o registro do uso de spray de pimenta por parte de agentes da Guarda Municipal e da Polícia Militar para conter o grupo que tentava entrar no prédio. Em decorrência da ação policial e da dispersão com gás lacrimogêneo e de pimenta, diversos trabalhadores precisaram de atendimento médico de urgência, sendo encaminhados para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da região com sintomas de irritação nos olhos, vias respiratórias e contusões leves.

Motivos da greve e críticas à gestão

O estopim para a deflagração da greve envolve uma série de pontos nevrálgicos propostos nas legislações em trâmite. Entre as principais reivindicações e pautas de rejeição da categoria estão as mudanças profundas estruturadas no Fundo de Previdência Municipal de Araucária (FPMA). Os servidores argumentam que as alterações ameaçam a sustentabilidade financeira da previdência e os direitos adquiridos ao longo de anos de serviço público.

Além da questão previdenciária, o protesto também se voltou contra alterações legais que impactam diretamente a organização sindical no município. Entre os pontos criticados está a transferência para o Poder Executivo da prerrogativa de nomeação de cargos que, até então, contavam com gestão autônoma por parte dos servidores. A proposta também prevê o corte salarial de diretores sindicais que se encontram liberados para exercer funções de representação da categoria, o que foi interpretado pelos sindicatos como uma tentativa direta de asfixiar financeiramente e administrativamente as entidades de classe.

Em nota oficial divulgada à imprensa, a diretoria do SISMMAR direcionou duras críticas à gestão do prefeito Gustavo Botogoski. A administração municipal foi acusada de promover um inchaço na máquina pública através da criação excessiva de cargos comissionados, enquanto, simultaneamente, adota medidas de caráter repressivo e autoritário para tentar inibir a livre mobilização coletiva e o direito constitucional à greve. Na mesma linha, o SIFAR classificou o momento como uma escalada perigosa de práticas anti-sindicais na cidade, apontando ainda o enfraquecimento de instâncias democráticas de debate, como a Conferência Municipal de Saúde.

Diante da aprovação em primeiro turno dos projetos e do cenário de confronto instalado, as lideranças sindicais informaram que novas assembleias gerais serão convocadas em breve. Nestes encontros, a categoria deverá avaliar detalhadamente os desdobramentos políticos da votação na Câmara Municipal e deliberar coletivamente sobre a manutenção, ampliação ou suspensão da paralisação nos próximos dias.

Fonte:: rede190.com.br

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