Ministro zanin cobra o TRE do paraná por causa de vazamento de informações sigilosas

Redação Rádio Plug
5 min. de leitura
Foto: Luiz Silveira/STF

O ministro Cristiano Zanin, integrante do Supremo Tribunal Federal (STF), enviou um ofício neste sábado (5) direcionado ao presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR), Luciano Carrasco Falavinha Souza. Na comunicação oficial, o magistrado cobra explicações e providências rígidas a respeito de um vazamento de dados de caráter sigiloso que foram anexados dentro do processo de registro de candidatura ao Senado de Deltan Dallagnol (Podemos).

Por meio do documento catalogado como ofício 10/2026, o representante da mais alta corte do país determina que o comando da Justiça Eleitoral paranaense adote medidas imediatas com o objetivo de sanar a irregularidade identificada. Além disso, o texto exige que sejam feitas as comunicações devidas para que ocorra a responsabilização civil e criminal dos envolvidos no episódio.

A situação ganhou repercussão após a formalização de um pedido de impugnação contra a candidatura de Dallagnol, protocolado pela Federação Brasil da Esperança no Paraná. O grupo político argumenta que o ex-procurador está inelegível e, portanto, estaria impedido de concorrer ao cargo de senador no pleito atual. Para Arilson Chiorato, que preside a federação estadual, a exposição de informações particulares e sigilosas ligadas ao ministro Cristiano Zanin representa uma conduta gravíssima dentro do processo eleitoral.

Defesa de Deltan Dallagnol se manifesta sobre o caso

Em resposta aos questionamentos judiciais e à polêmica gerada pelo vazamento, a defesa de Deltan Dallagnol (Novo) — que disputa o cargo de senador pelo estado do Paraná — emitiu esclarecimentos públicos. Os advogados informaram que anexaram aos autos da Justiça Eleitoral cópias integrais de procedimentos originados no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) como forma de rebater as contestações à sua candidatura.

A assessoria de imprensa do candidato explicou que entre os documentos juntados aos autos estava uma reclamação disciplinar proposta no passado por Cristiano Zanin contra Dallagnol e outros procuradores da força-tarefa, um arquivo que contava com milhares de páginas. A defesa alegou que os registros fiscais e bancários que pertenciam ao então advogado integravam originalmente aquele procedimento administrativo.

De acordo com a nota divulgada pela equipe do candidato, os documentos foram apresentados em sua totalidade de forma proposital. O argumento central é que a medida buscou garantir transparência, evitando a omissão de qualquer dado ou contexto que pudesse ser julgado relevante para a análise do teor das acusações históricas enfrentadas pelo ex-procurador durante os desdobramentos da operação Lava Jato.

A nota acrescenta que Dallagnol foi alvo frequente de contestações por parte de investigados, defensores e parlamentares ligados ao Partido dos Trabalhadores ao longo de sua atuação em Curitiba e no Rio de Janeiro. Segundo a defesa, o procedimento movido por Zanin na época não resultou em condenação ou procedência contra o ex-procurador ou seus colegas de trabalho, funcionando juridicamente de maneira similar a um boletim de ocorrência que depende de juízo posterior de mérito.

Os representantes legais de Dallagnol sustentam ainda que a consulta aos autos antigos é fundamental para comprovar a suposta fragilidade dos argumentos que embasaram decisões anteriores do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Para a defesa, o conteúdo demonstra que tais apontamentos jamais poderiam resultar em penalidades administrativas severas, como a demissão, e que, por conseguinte, não deveriam servir de base para afastar o político da disputa eleitoral vigente.

Por fim, a nota reitera que os advogados jamais tiveram a intenção de expor intencionalmente dados privados do atual ministro do STF, mas sim assegurar o pleno exercício dos direitos políticos do candidato, comprovando sua elegibilidade perante a sociedade e os órgãos competentes.

Repercussão política no estado

Apesar dos argumentos apresentados pela defesa, o caso continua gerando fortes reações no cenário político paranaense. A investida da Federação Brasil da Esperança reforça o tom crítico adotado por opositores em relação à postura adotada pela campanha do candidato do partido Novo.

O presidente estadual da federação, Arilson Chiorato, voltou a criticar duramente o episódio, classificando a inclusão dos dados como uma demonstração de irresponsabilidade. Para o dirigente partidário, a exposição de informações bancárias de uma autoridade do poder judiciário exige uma resposta exemplar dos órgãos fiscalizadores do processo eleitoral brasileiro.

Fonte:: bemparana.com.br

Anúncios
Compartilhe este artigo